O Brasil pode contribuir para a neutralidade climática e ser neutro em carbono investindo no desenvolvimento do seu mercado de carbono verde.

Na esteira do desenvolvimento do mercado brasileiro de biogás, gerado a partir de resíduos orgânicos, o Rio de Janeiro vai receber a primeira usina do país cuja produção de gás carbônico será pelo aproveitamento de biometano produzido a partir de resíduos orgânicos de aterro sanitário.

O Grupo Urca Energia, que produz e vende energia de biometano e gás natural para indústrias e caminhões, anunciou esta semana um investimento de R$ 45 milhões na construção de uma usina de produção de gás carbônico verde no centro de tratamento de resíduos que tem em Seropédica, no Rio de Janeiro.

A iniciativa faz parte do acordo que envolve a compra da Gás Verde, empresa de biogás da JMalucelli, anunciado em janeiro, que prevê R$ 1,2 bilhão para a aquisição do ativo e novos investimentos.

A Gás Verde, que já possui duas usinas de biometano em Seropédica desde 2019, vai aproveitar parte do processo de tratamento do biogás para biometano, que gera uma corrente composta por 42% de gás carbônico. Dessa forma, a corrente gerada na usina de biometano será enviada por meio de dutos para a usina de CO2, onde será tratada para elevar a concentração do gás carbônico a 99%.

Marcel Jorand, diretor-executivo do Grupo Urca Energia, explica que a companhia percebeu um gap no mercado já maduro de gás carbônico no país. Muitas empresas utilizam o CO2, mas advindo de fontes não renováveis ou que não tem como origem o biometano, espécie de gás natural renovável.

Com a COP 26, que fez o Brasil firmar o compromisso de reduzir em 30% as emissões de metano até 2030, as empresas criaram metas ambiciosas de redução de pegada de carbono e metano, o que impulsionou a demanda pelo combustível renovável, diz Jorand:

Fomos percebendo uma demanda grande dos clientes. E o gás carbônico verde vindo do biometano, que é uma coisa inédita no Brasil, vai ser uma boa opção para os clientes reduzirem a pegada deles.

Segundo estimativas da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), o Brasil tem potencial para produzir 120 milhões de metros cúbicos por dia de metano. Tamanha produção pode substituir cerca de 70% do consumo de óleo diesel ou 35% da demanda de energia elétrica.

— O Brasil hoje aproveita cerca de 2% do potencial de produção de biogás, ou seja, há um espaço imenso para crescer. Já mapeamos projetos que somarão 3 milhões de metros cúbicos por dia até 2025 — destaca Tamar Roitman, gerente executiva da ABiogás.

A expectativa do Grupo Urca Energia é que a usina comece a operar em 18 meses e o complexo industrial chegue à plena capacidade nominal em termos de produção de biometano. Hoje, a planta processa 120 mil metros cúbicos de biometano por dia, o equivalente a 60% do potencial total.

— Vamos elevar isso ao limite. E nessa hora a planta vai gerar em torno de 100 toneladas de gás carbônico verde por dia, que vamos produzir e revender. Esse montante representa cerca de 10% do consumo diário do Brasil de CO2, que é de 1.100 toneladas — acrescenta Jorand.

O Grupo Urca Energia já fechou contrato com três companhias dos setores de metalurgia e alimentação e bebidas, dentre elas, a Ambev.

A companhia também prevê substituir até o ano que vem duas térmicas a biogás da Gás Verde, localizadas em Nova Iguaçu e São Gonçalo, região metropolitana do Rio, por plantas de biometano.

Com a nova instalação, a planta de Nova Iguaçu poderá produzir de imediato 50 toneladas de CO2 por dia. A viabilidade está sendo discutida pelo conselho da companhia em fase decisória.

Fonte: Agência Brasil  –  7/2/2022.

Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2022-02/mme-diz-que-usina-de-co2-verde-e-mais-uma-fonte-energetica-para-o-pais