Um estudo publicado na revista Global Change Biology estima que pelo menos dois terços das colônias de pinguins imperadores estariam extintas em 2050.

Enquanto a Antártica bate recordes de calor, o Ártico esquenta ao dobro da taxa média do resto do planeta, o que preocupa a comunidade acadêmica. Enquanto isso acontece, as projeções sobre a fauna e flora nos dois extremos do planeta são as piores possíveis.

Um estudo publicado na revista Global Change Biology estima que pelo menos dois terços das colônias de pinguins imperadores estariam extintas em 2050, e 98% não existiriam mais em 2100.

Stephanie Jenouvrier, ecologista de aves marinhas do Woods Hole Oceanographic Institution e principal autora do estudo, publicou um comunicado nada animador.

Se houver pouco gelo marinho, os filhotes podem se afogar quando o gelo se romper mais cedo; se houver muito gelo no mar, as viagens de forrageamento se tornam muito longas e mais árduas, os filhotes podem morrer de fome.

Os pinguins imperadores são as maiores espécies de pinguins do mundo. Um estudo publicado em 2020 estimou que existem cerca de 280.000 casais reprodutores em todo o mundo, quase todos na Antártica.

O pinguim imperador é a maior ave da família Sphenisdae (pinguins). Adultos podem atingir 1,15 m de altura e pesar até 40 kg, sua dieta é carnívora. As fêmeas põem um único ovo em maio/junho, que abandonam imediatamente para passar o inverno no mar.

O ovo é incubado pelo macho durante 65 dias, o que corresponde ao inverno na antártica. Durante esse período os machos não comem. As fêmeas voltam com a barriga cheia e regurgitam para que os filhotes se alimentem. Só depois os machos vão para o mar à procura de comida.

Os pinguins imperadores são uma parte vital da cadeia alimentar da Antártica, atacando o krill, lulas e pequenos peixes, ao mesmo tempo eles são o alimento de focas leopardo e orcas.

Atualmente os pinguins imperadores estão na Lista Vermelha da UICN, na categoria QUASE AMEAÇADA.

O jornal Washington Post, que trouxe a matéria, informa que ‘uma colônia de pinguins imperadores no Mar de Weddell da Antártica foi efetivamente eliminada em 2016 por causa do rompimento precoce do gelo, disse Jenouvrier.

Acredita-se que mais de 10.000 filhotes tenham se afogado quando o gelo marinho se quebrou antes que estivessem prontos para nadar.

O estudo mais recente publicado na Global Change Biology não é novidade. Além deste sumiço de toda uma colônia no Mar de Weddell, já em 2020 a Deutsche Welle comentava estudos de cientistas alemães na Antártica.

Segundo a DW, os pesquisadores analisaram como o aquecimento global afeta as colônias de pinguins. Os resultados são preocupantes: em 80 anos estas aves podem estar extintas.

E não são apenas os imperadores que correm perigo. Conforme post que publicamos em 2018, os pinguins reis também estão ameaçados pelo mesmo e perigoso aquecimento global ignorado nos trópicos.

Enquanto nós e nossos usos e costumes insustentáveis matamos várias espécies de animais e vegetais, a rápida perda de biodiversidade global afeta e ameaça a vida dos seres humanos.

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Fonte: Portal Mar Sem Fim – 5/8/2021.

Disponível em: https://marsemfim.com.br/pinguins-imperadores-condenados-a-extincao-na-antartica/?fbclid=IwAR0WCDayaaKJlhvjmhRzoXZdSiJjsICRaXlX6ygvMoFAPmkNHwZKJeBEEdQ

– Conheça a Global Change Biology: Global Change Biology

– Conheça o Woods Hole Oceanographic Institution: https://www.whoi.edu/press-room/news-release/emperor-penguins-increasingly-under-siege-by-climate-change/?fbclid=IwAR0aVWLKwQe0FeZ5Q8FaJA98URNlDiLzEQ9P0nOlN4DcduuwN-9CoqFlGVU