O INCA divulgou nota em que afirma não compactuar com quaisquer agressões a animais e está, junto com a Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da OAB/RJ, empenhado em encontrar uma solução para esse impasse.
Construção de muro em terreno atrás de prédio na Cruz Vermelha foi informada a voluntários sem que houvesse tempo hábil para retirada de animais.
A construção de um muro em volta do terreno localizado nos fundos do prédio do Instituto Nacional do Câncer ( Inca ) na Praça da Cruz Vermelha pode matar 30 gatos que hoje vivem no local. O alerta é de voluntários que trabalham na área de proteção aosanimais . Nesta terça-feira, um caminhão e dois contâineres amanheceram no local para dar início aos trabalhos.
– Eu vinha alimentando os gatos todos os dias. Ontem, um vigilante que toma conta do espaço avisou que a obra começava hoje e me pediu que os retirasse daqui. Mas não tenho como recolher 30 gatos do dia para a noite – explica Luiz Cláudio Gomes Barboza, que mora perto do terreno e trabalha como voluntário na proteção de animais.
Os gatos se concentram em dois pontos, segundo Barboza. Um deles fica nas proximidades da Rua Henrique Valadares e o outro, perto da Rua Washington Luiz. De acordo com o protetor, a decisão de trocar o tapume que existe hoje no entorno do espaço por um muro partiu da administração do Inca e foi tomada com o objetivo de afastar moradores de rua que vinham frequentando o local. Porém, ele e outros protetores de animais defendem que o muro isolaria os gatos, dificultaria a atuação dos cuidadores e provocaria a morte dos animais por atropelamentos e outras causas.
– Em meados de 2018, tivemos uma reunião com a administração do Inca e propusemos um plano que incluía o recolhimento, castração e devolução dos gatos ao terreno como forma de conter a proliferação. Eles não aceitaram nossa proposta nem ofereceram uma solução alternativa – afirma Bianca Siqueira, empresária que atua como voluntária na proteção de animais.
Ela lembra que, em locais como a PUC e o Jóquei, parcerias entre protetores e as respectivas administrações permitiram a criação de centros de castração que contiveram a proliferação desordenada dos bichanos. Procurada, a administração do Inca ainda não se pronunciou.
Em nota, o Inca afirmou que na manhã desta terça-feira representantes da instituição e da Comissão de Proteção aos Animais da OAB/RJ e Nacional se reuniram para viabilizar o resgate de alguns gatos que circulam pelo terreno.Ainda segundo a nota, foi acertado que, nos próximos dias, um grupo de resgatistas de animais comparecerá ao local para fazer o levantamento do quantitativo de gatos, para posterior resgate e remoção dos animais para abrigos.
Leia a nota do INCA na íntegra:
” O INCA contratou, por meio de licitação, uma empresa de engenharia para realizar a manutenção necessária no terreno ao lado do Instituto, onde será construído o seu novo campus. Estão previstos os seguintes serviços: troca dos tapumes metálicos por muro de concreto, poda da vegetação, instalação de postes de iluminação e recomposição de calçadas danificadas. Os trabalhos já foram iniciados.
Na manhã de hoje, 7 de maio, representantes do INCA e da Comissão de Proteção aos Animais da OAB/RJ e Nacional se reuniram para viabilizar o resgate de alguns gatos que circulam pelo terreno. Foi acertado que, nos próximos dias, um grupo de resgatistas de animais comparecerá ao local para fazer o levantamento do quantitativo de gatos, para posterior resgate e remoção dos animais para abrigos.
O INCA não compactua com quaisquer agressões a animais e está, junto com a Comissão da OAB, empenhado em encontrar uma solução para esse impasse. Notícias de cunho sensacionalista, associando o nome de Instituto à morte dos animais, não ajudam a resolver a questão e apenas contribuem para promover o pânico e a revolta na população.
Sobre o novo campus
A obra estava a cargo da Schahin Engenharia até abril de 2015, quando esta informou ao INCA sobre a impossibilidade de continuar a prestar serviços para o Instituto, fato informado aos órgãos de controle e autoridades competentes.
Diante da interrupção da obra, o Instituto buscou soluções para evitar danos maiores à Instituição e a terceiros. Foram contratados serviços para a finalização da execução da viga de coroamento e a regularização do terreno, buscando preservar o investimento já realizado, a segurança do patrimônio institucional e do entorno. É importante destacar que há segurança contratada pelo INCA no local.
A continuidade da obra depende da atualização do projeto, pois houve a necessidade de se efetuarem os levantamentos de atualizações tecnológicas e de normas necessárias, em função do tempo decorrido entre a finalização dos projetos (2010) e a sua efetiva utilização para a futura contratação da construção através de nova licitação da obra. O orçamento está sendo redimensionado.
O novo campus será o mais moderno centro de desenvolvimento científico e de inovação para o controle do câncer do país. Completamente integrado ao atual prédio-sede do INCA, localizado na Praça da Cruz Vermelha, ele vai concentrar as áreas de pesquisa, assistência, educação, prevenção, vigilância e detecção precoce e integrar as unidades do Instituto, facilitando aspectos de logística e investimentos tecnológicos. ”
Fonte: Jornal O Globo – 7/5/2019.










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