RIO – Mesmo com a vitória do “não” no plebiscito que chamou a população de Petrópolis a opinar sobre a permanência da tração animal nas charretes que fazem passeios turísticos, o fim desse serviço ainda não tem data. Em reunião realizada nesta quarta-feira na prefeitura, foi criada uma comissão para estudar o processo de retirada dos animais das ruas, e a sua substituição por um serviço que seja sustentável e ao mesmo tempo conquiste a simpatia dos charreteiros. A opção mais viável até o momento é a substituição das charretes por carros elétricos. O problema é saber de onde virão os recursos para a aquisição dos veículos.
A prefeitura já anunciou não ter condições de custear a compra dos carros elétricos. O prefeito Bernardo Rossi (MDB) havia tentado financiamento junto ao Ministério do Turismo, mas foi informado que a pasta não investe nesse tipo de atividade. Segundo a prefeitura, há um déficit de caixa de R$ 685 milhões, o que inviabiliza o projeto.
Presentes à reunião, a presidente do conselho diretor do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Elizabeth MacGregor, e o presidente da Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da OAB- RJ, Reynaldo Velloso, disseram que ficou acertado o fim da atividade das vitórias (charretes) com tração animal em 31 de dezembro. Mas a prefeitura negou o prazo e disse que a questão ainda será exaustivamente estudada pela comissão.
Os animais usados nas charretes serão acolhidos pelo Fórum Nacional. Para a presidente do conselho do Fórum, Elizabeth MacGregor, a questão da propriedade dos animais é “um ponto nevrálgico para ser analisado”.
– Temos absoluta consciência de que se tratam de propriedades privadas e que os donos têm todo o direito de comercializá-los. O que fizemos foi disponibilizar nosso sistema de acolhimento para cuidar desses 37 animais no Santuário do Fórum Animal. Por orientação da OAB, não divulgaremos o endereço onde ficarão instalados os animais por questões de segurança – disse Elizabeth.
Já a representante dos charreteiros, Vanuza Ferrari, disse que a categoria pretende garantir que a concessão da atividade seja exercida até o fim, previsto, segundo ela, para agosto do ano que vem. Ela ressaltou que o processo da Câmara de Vereadores que propôs o plebiscito não estabelece prazo para o fim da atividade, caso a população decidisse dessa forma.
– Nossa concessão é renovada sempre no mês de agosto. Surgiram informações de que nossa atividade será interrompida em 31 de dezembro. Não concordamos com isso e vamos contratar advogado. E sobre a troca dos cavalos por charretes ou carros elétricos, é uma questão que ainda não decidimos – comentou.
Vanuza disse que um representante da categoria tentou participar da reunião desta quarta-feira, mas foi impedido de entrar. Indagada, a prefeitura informou que vai incluir representes dos charreteiros na comissão.
Ainda de acordo com a prefeitura, a licença para esse serviço é renovada anualmente, “conforme estabelece o decreto que dispõe sobre a prestação do serviço, entre julho e agosto – o que foi feito este ano” – e deve ser renovada a cada 12 meses. Mas, ressaltou que a concessão pode ser interrompida a qualquer momento a bem do interesse público.
Fonte: Jornal O Globo – 25/10/2018.
Disponível em: https://oglobo.globo.com/rio/prefeitura-de-petropolis-diz-que-nao-tem-recursos-para-substituir-cavalos-por-carros-eletricos-23183993
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