O macaco tenta se esconder num mínimo espaço. O elefante, solitário, alterna momentos entre a agitação e a apatia. Já os felinos, levantam e gritam sem aparente razão. Esses foram apenas alguns dos comportamentos observados por um corpo técnico formado pela Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio, do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e da Ong Defensores dos Animais. A visita resultou um relatório que baseia um pedido de intervenção ao Ministério Público Federal (MPF).
“Vários animais pertencentes a espécies que vivem naturalmente em grupo social estão mantidos sozinhos, sem outro membro da espécie, ou separados, o que certamente afeta bastante sua qualidade de vida”, informa o documento a que o EXTRA teve acesso.
Em outro trecho, o texto aponta que “alguns animais foram vistos demonstrando alterações e anormalidades de comportamento como estereotipias (balançar o corpo, andar de um lado ao outro), agitação excessiva, isolamento, hipervigilância, apatia”. Segundo o documento, “essas alterações surgem como manifestação de estresse crônico em razão das condições em que vivem no cativeiro”.
O grupo se reuniu no último dia 19 com o procurador Sergio Suiama, que é responsável pela ação pública que cobra da prefeitura reformas.
— É como ver um cachorro de rua: os animais têm pereba, são magros, parecem doentes. A maioria se esconde, parece agoniada — notou a turista de São Paulo Patrícia Toledo, de 37 anos, que visitou o lugar.
A Prefeitura do Rio informou que está processo licitatório das reformas, que contemplam as recomendações do MPF, está na fase final, com valor de R$ 6,5 milhões. A Rio Zoo afirmou que não recebeu o relatório produzido pelos especialistas e, então, não vai se pronunciar sobre isso.
Comida em local inadequado
Além das condições inadequadas das jaulas que, segundo o documento do grupo, causam o comportamento atípico dos animais, o relatório ainda aponta a presença de barraquinhas de comida como um problema a ser resolvido.

— O Ibama já aplicou uma multa de R$ 1 milhão ao zoológico, por conta de descumprimentos de obras. Mas queremos uma medida mais enérgica. Pedimos que não receba mais animais — conta Reynaldo Velloso, presidente da Comissão que quer, a longo prazo, a transformação do zoológico num santuário, só com animais para reintrodução na natureza, reabilitação ou os não passíveis de reintrodução.

A ação do Ministério Público Federal cobra da prefeitura reformas e modificações no RioZoo. O parque, que tem mais de 2.100 animais de 600 espécies, pode fechar ou ter visitações suspensas.

O EXTRA mostrou, em outubro, o estado precário das instalações, com grades enferrujadas, e animais debilitados. O parque já não tem mais girafa, leão, zebra e rinoceronte. São dez recintos sem bichos.
Caminhos
O relatório dos especialistas aponta soluções para o zoológico. A primeira medida é não aceitar mais animais com a mera finalidade expositiva.
Emergências
As medidas mais urgentes, segundo o documento, são: reparo dos recintos com umidade, sujeira e telas rasgadas; enriquecimento dos ambientes para se assemelhar ao habitat natural dos animais; e retirar as venda de comida em carrocinhas no parque.

Mundo ideal
A proposta do grupo é que, em médio prazo, o zoológico se torne um santuário de animais, “criando um espaço de efetiva proteção e defesa do bem-estar e dos direitos dos animais”, aponta.
Recuperação
Nesse modelo, o local receberia apenas animais para reabilitação e reintrodução na natureza ou, ainda, aqueles não passíveis de reintrodução como os feridos gravemente, os retirados de circos e de instalações inapropriadas.
Fonte: Jornal Extra. Em 20/12/2015.
Deixe um comentário
Tem de iniciar a sessão para publicar um comentário.