Autoridades da Austrália estão utilizando helicópteros para lançar alimentos para os animais.

Os incêndios que atingem as florestas da Austrália já deixaram mais de 1 bilhão de animais mortos, segundo estimativas de especialistas do país. O fogo queimou uma área maior que Portugal nas últimas semanas.

O número de animais vítimas dessa tragédia é baseado em um estudo feito em 2007 por um grupo de cientistas especializados em répteis, mamíferos e outros animais, que estimava que, em média, havia entre 150 e 160 animais vertebrados em cada hectare do ecossistema.

Segundo os dados, 80% desses animais são répteis, incluindo lagartos e cobras, 12% a 15% são aves e 5% a 8% são mamíferos, ficando fora do total morcegos, sapos, peixes e insetos, cujas populações não foram contabilizadas pelo estudo.

Autoridades da Austrália estão utilizando helicópteros para lançar batatas-doces e cenouras para animais famintos, como resultado da destruição de seu hábitat pelos incêndios.

Ao todo, o governo do Estado de Nova Gales do Sul despejou de aeronaves mais de duas toneladas de alimentos.

Além disso, o governo local está instalando câmeras para monitorar o consumo de alimentos pelos animais.

Foram mais de cem incêndios ativos somente em Nova Gales do Sul. Para o climatologista Carlos Nobre, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), o fogo na Austrália é um exemplo claro das mudanças climáticas:

— Praticamente todas as projeções extremas indicadas na virada do século estão acontecendo 20 anos antes do que se previa. Se colocarmos mais gás carbônico na atmosfera, sabemos que o clima vai ficar maluco. Estão mexendo com um sistema que começa a ter oscilações quase imprevisíveis.

Nobre lembra que a Austrália quebrou recordes de temperatura e seca em 2019 na série histórica registrada há 120 anos. Três fatores intensificados pelas mudanças climáticas levaram ao quadro de incêndios. Um deles, chamado dipolo do Oceano Índico, concentrou águas quentes na costa Leste da África e frias no Oeste da Austrália, diminuindo o vapor d’água que entra no território australiano.

A circulação de ar quente entre a Antártica e o Sul e Leste da Austrália também favorecem um sistema de alta pressão, contribuindo ainda para condições mais secas. Há, por fim, uma “mancha de calor” de 1 milhão de km² no mar próximo à Nova Zelândia e à Austrália. As condições foram proporcionadas por um sistema de alta pressão, causando a ausência de nuvens. O processo alimenta rajadas de vento e aumentos de temperatura.

Desde setembro, o fogo engoliu casas e florestas e devastou a fauna. Segundo a Universidade de Sydney, quase meio bilhão de animais morreram apenas em Nova Gales do Sul — estimativa que a instituição considera conservadora. O número inclui répteis, aves e mamíferos. No Parlamento, a ministra do Meio Ambiente, Sussan Ley, afirmou que cerca de um terço dos coalas no país sucumbiu aos incêndios — algo em torno de 8 mil animais.

Com o temor de que a nova onda de calor faça com que as chamas se multipliquem, autoridades conduziram resgates com embarcações da Marinha. Milhares de pessoas isoladas em praias foram retiradas e levadas a Hastings, cidade próxima a Melbourne.

O primeiro-ministro, Scott Morrison, chegou a reclamar da falta de cooperação internacional depois de resistir a pedir ajuda estrangeira. EUA e Canadá encaminharam bombeiros, e a Cruz Vermelha auxilia no acolhimento dos mais afetados. Alvo de críticas pela política ambiental considerada negacionista, Morrison foi hostilizado em visita à cidade de Cobargo. Na véspera, um bombeiro se recusou a cumprimentá-lo.

 

Fonte: Portal Notícias de Meio Ambiente e Natureza. – 19/1/2020.

Disponível em: http://notnatureza.blogspot.com/2020/01/incendio-na-australia.html

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