Segundo comunicado do Itamaraty às Nações Unidas, efetuado nesta terça-feira (27), o governo brasileiro retirou a intenção de sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – COP-25. As razões seriam as restrições fiscais e orçamentárias.
A candidatura do Brasil como anfitrião da COP em 2019 fora anunciada pelo Ministério de Meio Ambiente, na última Conferência do Clima, realizada em Bonn, na Alemanha no ano passado. À época, os comentários nos bastidores eram de que a proposta não havia sido negociada entre os ministérios e que chegou a pegar alguns setores de surpresa.
Em outubro deste ano o Itamaraty divulgou a candidatura do país para receber o evento. Na ocasião, o órgão havia afirmado que a realização da conferência no Brasil “confirma o papel de liderança mundial do país em temas de desenvolvimento sustentável” e “reflete o consenso da sociedade brasileira sobre a importância e a urgência de ações que contribuam no combate à mudança do clima.”
No entanto, a desistência anunciada aumentou as críticas e a preocupação quanto ao cumprimento das metas nacionais assumidas no Acordo de Paris para redução dos gases de efeito estufa, principais causadores das mudanças climáticas.
Entre as principais metas estão o corte de emissões em 37% até 2025 e em 43% até 2030 com base nos níveis de 2005, além do fim do desmatamento ilegal até 2020. A destruição da Floresta Amazônica, uma das maiores fontes de gases do efeito estufa do país, voltou a subir e atingiu em 2018 o patamar mais alto da última década, com uma área de 7.900 km2 de devastação.
A UNFCCC, que organiza as conferências do clima e coordena as negociações internacionais para conter o avanço das mudanças climáticas, foi criada na Rio 92, encontro sediado pelo Brasil. Vinte anos depois do evento histórico, em que 179 países concordaram em levar mais a sério os problemas ambientais globais, o Rio de Janeiro recebeu a Rio+20, que elaborou os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
Segundo a prática da UNFCCC, as sedes das COPs se alternam numa rotação de regiões do globo. Depois da Polônia, onde a COP-24 se inicia no próximo dia 2 de dezembro, na cidade de Katowice, caberia a um país da América Latina e do Caribe sediar o próximo fórum.
O problema terá agora que ser resolvido pelo Grupo de Países Latino-americanos e Caribenhos (Grulac), que havia endossado a candidatura do Brasil junto à UNFCCC. Por enquanto, a sede da COP em 2019 está indefinida.
O entendimento dos organizadores é de que a discussão de mudanças climáticas deve acontecer em uma nação em desenvolvimento, afinal a agenda de desenvolvimento não é incompatível com a luta contra as mudanças climáticas.
A COP 25 acontecerá entre 11 e 22 de novembro do ano que vem. O evento discutirá a implementação do Acordo de Paris pelas nações signatárias.
Desde que o Acordo de Paris entrou em vigor, em 2016, as temperaturas no planeta Terra já subiram por volta de 1 grau. Para a ONU, ações significantes devem ser tomadas nos próximos anos para evitar um aquecimento ainda maior.
A desistência retira o Brasil do protagonismo em atitudes de desenvolvimento sustentável e acrescenta dúvidas ao cumprimento e efetivação de acordos previamente estabelecidos.




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