Mancha de óleo, na região sul da Bahia, com 55 km de extensão e 6 km de largura, pode ser a causa da poluição.

Venezuela, navio alemão e, agora, vazamento em minas de petróleo. Algumas teses sobre a origem do petróleo que atinge o litoral do Nordeste já foram divulgadas por diversos órgãos após dois meses da sua descoberta. A última delas foi feita ontem, por pesquisadores do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Conforme o pesquisador Humberto Barbosa, a equipe do laboratório diz ter identificado uma mancha de óleo, na região sul da Bahia, com 55 km de extensão e 6 km de largura, a uma distância de 54 km da costa, entre as cidades de Itamaraju e Prado. Assim, o estudioso destacou a hipótese de a poluição nas praias ter sido causada por um “grande vazamento em minas de petróleo”.

“Durante esse tempo foi uma montagem de quebra-cabeça, até que na segunda [28 de outubro], descobrimos a peça-chave, foi a primeira vez que observamos uma imagem de satélite que detectou uma faixa da mancha de óleo original, ainda não fragmentada e não carregada pelas correntezas”, disse Barbosa, ao mesmo veículo.

As análises foram feitas a partir de um satélite europeu, que detectaram uma mancha no formato de meia-lua. As imagens precisaram passar por uma análise de três semanas.

Conforme o jornal Folha de Pernambuco, o estudo das imagens já havia localizado manchas menores de óleo no mar, mas mostravam o piche fragmentado, o que não permitia identificação do padrão de vazamento, que pode ter sido causado pela da perfuração de um campo de exploração não identificado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A mesma descoberta feita pelos pesquisadores da UFAL também foi feita por estudiosos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A equipe identificou uma mancha próxima ao sul da Bahia, que parece ser de óleo, após análise feita pelo mesmo satélite europeu. Neste caso, a diferença entre os dois estudos seria com relação ao tamanho da mancha: 200 km².

“O radar é muito sensível a ver rugosidade e lisura. O óleo é muito liso em comparação com a água do mar, que tem ondulações. Onde tem óleo, a água fica muito lisa. Esta é uma técnica consagrada para verificar se existe mancha de óleo”, disse José Carlos Seoane, professor do departamento de geologia da UFRJ e especialista em sensoriamento, em entrevista ao veículo carioca.

MARINHA ACOMPANHA

A Marinha negou relação entre as imagens e o petróleo nas praias nordestinas. A instituição disse ainda que foram feitas quatro avaliações para descartar a hipótese lançada pelo Lapis. A primeira foi uma consulta a especialistas do Fundo Internacional de Poluição de Petroleiros, um órgão internacional. Além disso, também foram realizados monitoramento aéreo e por navios na região, assim como por meio de satélite.

“É importante frisar que a gravidade, a extensão e o ineditismo desse crime ambiental exigem constante avaliação da estrutura e dos recursos materiais e humanos empregados, no tempo e quantitativo que for necessário”, pontua a nota.

Já em informe divulgado no início da tarde, a instituição explicou que o Grupo de Avaliação e Acompanhamento (GAA), uma vez observada a tendência de deslocamento de vestígios de substâncias oleosas em direção ao sul da Bahia, intensificou o monitoramento na área do entorno do Arquipélago de Abrolhos, deslocando mais meios em direção ao Sul da Bahia. A intenção é ampliar a cobertura para a visualização de manchas na água e o seu recolhimento, caso detectadas.

Os navios deslocados para o Arquipélago ficarão posicionados a monitorar uma de cerca de 22 mil quilômetros quadrados no entorno do Arquipélago de Abrolhos, área equivalente ao Estado de Sergipe. Ontem, militares e técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) sobrevoaram a região, em uma aeronave da Petrobras. O monitoramento no mar foi ampliado com o reforço de embarcações.

Conforme o último levantamento do Ibama, sobre as localidades atingidas pelo óleo, citando apenas a Bahia, 74 praias no estado foram afetadas pelo material desde o município de Jandaíra, na divisa com Sergipe, até a cidade de Belmonte, ponto mais ao sul que possui registro até então.

Fonte: Portal Notícias de Meio Ambiente e Natureza – 31/10/2019.

Disponível em: http://notnatureza.blogspot.com/2019/10/mancha-de-oleo-gigante-no-mar.html