Alguns lobos, entre eles uma fêmea, voltaram a fazer parte da fauna dinamarquesa pela primeira vez em dois séculos.
Uma matança desenfreada ocasionou a extinção no país.
Clique na foto para conhecer esta vitória da espécie.

O texto:

Fustigados pela caça, os lobos desapareceram da Dinamarca no século XIX, mas protagonizaram agora um surpreendente regresso ao nórdico. Para já, a localização dos animais está a ser mantida em segredo para não atrair caçadores
 Pelo menos cinco lobos, incluindo uma fêmea, voltaram a fazer parte da fauna da Dinamarca pela primeira vez em dois séculos, confirmou um zoólogo através de testes de ADN.
No século XIX, devido à caça, estes animais desapareceram completamente do país. “Sabíamos que alguns lobos tinham entrado na Dinamarca em 2012. Agora temos a prova de que há uma fêmea”, referiu à agência AFP Peter Sunde, investigador da Universidade de Aarhus, apontando para a possibilidade de haver um aumento da população ainda este ano.
Os lobos terão viajado da Alemanha para a parte oeste da Dinamarca, conhecida por ser a região agrícola com menor densidade populacional no país escandinavo. “As pessoas ficaram bastante surpreendidas quando os lobos apareceram na Dinamarca, mas são criaturas com grande mobilidade e adaptam-se bastante bem ao meio envolvente, tal como as raposas. O único problema é que, segundo a história, nós matamos lobos”, referiu.
Peter Sunde explicou que os animais percorreram um longo caminho, de mais de 500 quilômetros, sendo um grupo composto por “espécies jovens, rejeitadas pelas respectivas famílias, que procuram novos terrenos de caça”. Os lobos podem andar durante cerca de 50 quilômetros por dia, havendo registos de viagens de mais de mil quilômetros ao longo da Europa.
Os peritos basearam as suas conclusões em análises de ADN às pegadas dos animais, para além de recursos a vídeos realizados em locais onde havia a suspeita da presença de lobos. Com esses dados, os cientistas conseguiram estabelecer um perfil genético de cinco animais, quatro machos e uma fêmea, embora não tenham colocado de parte a possibilidade de haver mais exemplares.
No entanto, e baseando-se também na história, a localização dos lobos foi mantida em segredo para não atrair possíveis caçadores. “O lobo é um animal cuja caça não é autorizada, e por isso devemos protegê-lo”, informou o diretor da Agência do Meio Ambiente, Henrik Hagen Olesen.
Noutros países nórdicos, onde há uma população mais expressiva, a caça aos lobos também tem sido objeto de grandes discussões entre habitantes, criadores de gado, caçadores, governos, União Européia e defensores dos animais selvagens em geral.
Apesar de muitos verem com bons olhos o reaparecimento dos lobos e a eventual propagação da espécie na região, depois de tanto tempo, outros que não pensam da mesma forma. No sector da agricultura da região, meio de subsistência para muitas famílias, existe uma preocupação crescente desde a vinda dos lobos. Vários ataques a ovelhas desde o início do ano levaram os agricultores a pedir ao governo que adote medidas preventivas, exigindo ainda compensações financeiras para construírem cercas e proteger os rebanhos.
Este regresso à Dinamarca gerou também alguma especulação de que os lobos tinham sido libertados propositadamente, mas segundo Guillaume Chapron, investigador na Universidade de Ciência da Agricultura na Suécia, o rasto da fêmea verificado pelos cientistas é bastante natural. “Faz todo o sentido em termos biológicos que o lobo tenha viajado pelas suas quatro patas”, referiu.
Sobre o futuro da espécie na Dinamarca, o especialista considera que a decisão deve ser partilhada entre lobos e pessoas, visto que vivem num espaço comum. “É algo bastante positivo em termos de conservação da espécie, mostrando que a natureza tem uma forma de ‘cuidar de si própria’”.
Fonte: Portal Fauna e Flora  –  14/6/2017