Novas pesquisas reavaliam o que realmente extinguiu os dinossauros.

Nas últimas décadas, os cientistas tem se questionado sobre qual fenômeno aniquilou primeiro os dinossauros: o impacto de um asteroide ou erupções vulcânicas? Dois novos estudos publicados na revista Science tentam responder a esta pergunta.

Nos anos 1980, pesquisadores apontaram que a Cratera de Chicxulub na Península de Yucatán, no México, foi o local de impacto de um gigantesco asteroide. Outros especialistas focaram a atenção nas Armadilhas de Deccan, província vulcânica da Índia.

Usando dois métodos de datação, ambas pesquisas concordaram que erupções vulcânicas contribuíram para a extinção em massa dos dinossauros que não voavam.

Os resultados sugerem que a cadeia vulcânica indiana entrou em erupção ao longo de 1 milhão de anos, começando cerca de 400 mil anos antes do impacto de Chixculub e terminando 600 mil anos depois do período Cretáceo.

Uma equipe da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, propôs que as Armadilhas de Deccan começaram a explodir cada vez mais nos 100 mil anos anteriores, colocando ecossistemas ​​em condições difíceis de recuperação.

Já especialistas da Universidade Princeton, também nos Estados Unidos, argumentam que a maioria das erupções ocorreu após o impacto e que o asteroide foi o que matou os dinossauros.

Hipóteses

O estudo Berkeley realizou datação com argônio para estimar quando ocorreu o fluxo de lava. Foi descoberto que até três quartos da lava nas Armadilhas de Deccan entraram em erupção 600 mil anos após o impacto. Isso indica que um asteroide pode ter aumentado as erupções, o que atrasou qualquer esperança de recuperação ecológica. A teoria é sustentada pelo fato que grandes quantidades de gases capazes de impulsionar mudanças climáticas foram liberados antes da extinção dos dinos.

A pesquisa de Princeton conduziu datações de urânio e chumbo em cristais de zircão encontrados em magma resfriado. A linha do tempo sugere que as Armadilhas de Deccan entraram em erupção em quatro intensidades, liberando gases de efeito estufa e magma de uma só vez – como o momento em que o asteroide atingiu a Terra – impulsionando ainda mais a variação do clima. Uma limitação deste estudo é que os cristais poderiam ter se formado antes da erupção, mudando a cronologia dos acontecimentos.

“Tanto o impacto quanto o vulcanismo podem produzir efeitos ambientais semelhantes, mas estes ocorreram em escalas de tempo muito diferentes”, disse Courtney Sprain, pesquisadora de Berkeley, em comunicado. “Portanto, para entender como cada agente contribuiu para o evento de extinção, avaliar o tempo é fundamental.”

Fonte: Portal Revista Galileu  –  22/2/2019.

Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2019/02/novas-pesquisas-reavaliam-o-que-realmente-extinguiu-os-dinossauros.html?fbclid=IwAR1YLKSWn8MnF1fxZQMQRQncLgiebKCPM8RcXLuIQJi58DVnHod5gjRnRDM

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