A Comissão de Proteção e Defesa dos Animais (CPDA) da OAB/RJ realizou nesta quarta-feira, dia 1, um grande evento para debater os mutirões de castração. Segundo o presidente da CPDA. Reynaldo Velloso, é importante tratar desse assunto para que os animais tenham um tratamento adequado nas cirurgias. “Critérios técnicos precisam ser observados, não se pode fazer castração só por favor. E é importante que os animais tenham um acompanhamento no pós operatório e que a cirurgia seja feita com assepsia”, disse.
A presidente da ONG Celebridade Vira-lata, Luli Sarraf, operacionaliza mutirões de castração nas periferias de São Paulo. “O trabalho é feito, principalmente, em municípios onde a prefeitura não tem um programa de castração. Eu já organizei, na ONG, mais de 10500 castrações, todas de maneira independente: mapeei, fiz a triagem dos animais, as cirurgias e o pós-cirúrgico. Luto muito pelos mutirões porque não tem nada errado com esse método. Se os debates estão em torno do que maus profissionais praticam, eu atesto que essa é uma chance para que bons profissionais atuem também”, defendeu.
A presidente da Comissão de Cedicina Legal do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV/RJ), Fabiola Agostini, trouxealguns dados sobre os mutirões de castração de animais. “Estamos observando que cidades estão aderindo a esse modelo. Isso é muito válido”, disse.
Já a presidente da Comissão de Médicos Veterinários de Ongs do CRMV/RJ, Mariangela Almeida, reitera a importância de cuidar dos animais, que são frequentemente abandonados. “Hoje teremos a oportunidade de viabilizar e formatar um programa de mutirão de castração melhor e mais viável”, afirmou. Segundo ela, já que os mutirões estão sendo realizados e este é um caminho sem volta, o melhor é que sejam feitos da forma mais ética e técnica o possível.
O Instituto Pata Real foi fundado com o objetivo de realizar o controle populacional de animais. A presidente do instituto, que também realiza mutirões de castração, o Rio de Janeiro está muito atrasado em comparação a outros estados, como São Paulo e Minas Gerais. Ela pontuou também que, atualmente, a população está mais esclarecida, é difícil encontrar alguém que seja contra a castração. “Antes era mais difícil, nós tinhamos que conquistar a confiança. Hoje, chegamos nas comunidades e as pessoas já trazem os bichinhos pra castrar”, explicou.
O presidente da Comissão de Políticas de Controle Populacional Animal e Zoonoses do CRMV/RJ, Diogo Alves, falou sobre a ideia de que veterinário não gosta de castração e também relatou um atraso na política de controle populacional no estado. “O Rio de Janeiro pode crescer muito nesse quesito. E não só em relação à castração, mas também na posse responsável e na identificação dos animais”.
Trazendo a questão jurídica, a membro da CPDA Tulasi Ahrends pontuou que é importante reafirmar a necessidade do diálogo. “As políticas publicas no Brasil para animais ainda são muito focadas no vies da zoonoses. Não há políticas públicas que não estejam interligadas à saúde do ser humano e a gente precisa avançar nesse sentido”, disse.
O evento foi transmitido ao vivo e está disponível, em duas partes, no canal da OAB/RJ no YouTube.
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Fonte: Portal OAB/RJ  –  1/8/2018.